terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Silêncio





A Robson meu amor, minha cura



Faze silêncio no teu corpo

E escuta-te

Há uma verdade silenciosa dentro de ti.
Cecilia Meireles


Silêncio...é preciso se ouvir dentro dele...ouvir o silêncio pelo avesso, de dentro para fora...ontei escutei de uma pessoa que amo, que o meu silêncio fere a quem me ama, que ele representa uma navalha afiada que cortava...cortava sempre os outros assim que eu me calava...Dormi pensando sobre o silêncio...as pessoas que se encontravam na sala, começaram a discutir sobre o silêncio, sobre essa navalha que corta...já estava tão absorta nos meus sonhos que as vozes ficavam distantes...só me lembro de ter ouvido a fala de um homem que dizia baixinho, que o silêncio era medo...Tambem tenho medo de quando me calo, creio que sou silenciosa porque guardo silêncios dentro de mim, porque me corto todos os dias com essas infinitas navalhas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O homem que enterrava peixes na areia do mar


O sol naquele momento já estava quente e tocava a nossa pele de maneira amena para depois ir queimando lentamente...o vento estava parado e quente, quando ele soprava levava punhados de areia para frente provocando um típico som leve nos nossos ouvidos, um som que só se ouve na praia
Estávamos os dois a caminhar...juntos e ao mesmo tempo sós a esperar a imagem perfeita, havia um aglomeramento de pescadores que puxavam uma rede de arrasto em busca de alimentos...olhamos atentamente esse trabalho lento e cansativo de encontrar em meio a rede os peixes maiores para serem vendidos...deixamos eles no seu puxar/vida e continuamos a caminhar, quando avistamos uma rede abandonada com um senhor que recolhia inúmeros peixinhos que morreram de boca aberta por falta de ar...enquanto recolhia ele nos relatava que eles são abandonados pelos pescadores que não tem consciência ambiental...ele recolhia lentamente com pesar da morte daquelas pequenas criaturas...caminhamos com ele até o seu destino com as mãos fechadas uma sobre a outra o apanhador de peixes levou eles até uma cova improvisada, onde a cruz por cima do tumulo instituído por ele eram de palitos de picolé...o homem continuou a fazer isso até retirar todos os peixes da rede...eram mini-covas uma do lado da outra...o homem enterrava ao mesmo tempo os seus sonhos de um mundo diferente onde se respeitasse os menores...e também enterrava peixes...o ar se tornava mais quente e o vento soprava mais forte para que os peixes quisessem dormir...quando mergulhamos no mar meu amigo me perguntou se eu queria voar ou conseguir ir no fundo do mar e continuar respirando, respondi que preferia o mar porque só tenho certeza que no ceu existem sol, planetas, estrelas, nuvem, lua...já no mar são tantas coisas pequenas e belas...eu nunca me cansaria de olhar o mar por dentro...talvez encontrasse nadando alguns daqueles peixinhos que estavam enterrados na areia...